sexta-feira, 15 de maio de 2015

Missa das Andorinhas na 5ª.Feira da Ascensão – Cabanas de Torres - Alenquer


Em Cabanas de Torres, na 5ª.feira da Ascensão, à 1 hora da tarde, celebra-se a chama...da Missa das Andorinhas, uma tradição centenária, ou talvez milenar, cujo tempo e significado se perderam na memória dos mais velhos.
Resta perguntar: Porquê este ritual?
Que relação haverá entre as andorinhas que são libertadas no final da Missa e enquanto se celebra a adoração do Santíssimo, e a ascensão de Jesus ao céu que se celebra neste dia?

No catolicismo, a ascensão de Cristo ao céu significa a sua participação, na sua humanidade, no poder e autoridade de Deus e a Festa da Ascensão é uma das grandes festas do calendário litúrgico. O dia da Ascensão é tradicionalmente comemorado numa quinta-feira, o quadragésimo dia após a Páscoa. Porém, em algumas províncias católicas romanas mudaram a data para o domingo seguinte mas a festa tem o mesmo “status” das festas da Paixão, da Páscoa e do Pentecostes.
Em Cabanas de Torres, o Sr.Padre referiu esta tradição como significando o dar graças a Deus por toda a criação e pela importância que todos os seres têm para a vida e para Deus.

Mas porquê as andorinhas?
A andorinha simboliza a esperança, a boa sorte, o amor, a fertilidade, a luz, a ressurreição, a pureza, a primavera, a metamorfose, a renovação.
E a ascensão de Cristo, assim como todo o tempo pascal, não nos ensina e transmite tudo isso também?
A andorinha é conhecida como a "ave da partida e do regresso", pois migra no inverno e retorna no verão, muitas vezes ao mesmo ninho.
Será que esta tradição não nos convida a meditar sobre a nossa própria vida e que estamos sempre a tempo de “regressar” ao caminho do bem, se por um infeliz acaso nos desviamos dele?

Mas outra tradição acontece neste dia, a tradição de “apanhar a espiga” em que num passeio, regra geral de manhã, se colhem espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga.
Este ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte.

E ainda outra questão se coloca neste dia, o porquê de ser chamado também de “dia da hora”.
Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios.
Curioso é pensar que, muito possivelmente, haverá uma relação entre esta hora “em que tudo parava” e o facto da Missa das Andorinhas ser sempre, segundo me disseram, celebrada à 1 hora da tarde.

Já agora, deixo aqui também a simbologia de cada uma das plantas do ramo de espiga:
• Espiga – pão;
• Malmequer – ouro e prata;
• Papoila – amor e vida;
• Oliveira – azeite e paz; luz;
• Videira – vinho e alegria
• Alecrim – saúde e força.

E para o próximo ano, se Deus quiser, irei de novo à Missa das Andorinhas, em Cabanas de Torres, uma belíssima e típica terra do Concelho de Alenquer.

Maria Eugénia Ponte - 14 de maio de 2015
© ao abrigo dos direitos de autor.
(fotos de Fernando ferreira)



Posteriormente à publicação do meu "post" sobre a Missa das Andorinhas, o amigo Inácio Alexandre da Silva, de Abrigada, deu um esclarecimento precioso que agradeço e partilho:

Este ritual está registado na pedra do reservatório de agua dentro da sacristia. Pedra esta que segundo o que já consegui apurar ( e tem dado muito trabalho de pesquisa) é anterior à data da actual igreja, é de origem romana tendo resistido à ocupação árabe e faria parte de um outro local de culto substitutivo entretanto por esta igreja em honra de São Gregório Magno, Papa entre 3 de Setembro de 590 e sua morte, em 12 de Março de 604. Foi considerado por Calvino, que o admirava, como " o ultimo bom Papa". A data da construção da igreja actual é de 1568 e já sofreu diversas remodelações. O meu avô materno, Jorge Aires Alexandre foi lá sacristão, depois de Cabanas de Torres deixar de pertencer à paróquia do Montejunto e depois à da Aldeia Galega da Merceana. Conclusão, ainda a região do Montejunto não era Portugal já o ritual existia e festejava algo que a igreja acabou por adaptar naquela paróquia, único local onde se pratica. Deixo aqui a foto do marco de pedra com o respectivo registo.

Também o meu amigo de longa data, Artur Nobre, da Paúla, deu mais esclarecimentos sobre o assunto:

Segundo ouvi dizer a pessoas antigas cá da terra ( Paula ) existiu num local algures entre Paula e Cabanas de Torres um povoado. Essa tese assenta em artefactos encontrados ao longo dos tempos, possivelmente essa pedra pode ter sido encontrada nesse local. Também há uma lenda segundo a qual a atual igreja de Cabanas de Torres, terá sido mandada edificar por uma senhora a quem uma filha foi curada pela agua de uma fonte Santa existente na subida da agua santa. Essa senhora prometeu construir uma igreja em que do altar se avistasse a fonte onde nascia a agua milagrosa.

Muito obrigada, Inácio e Artur...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

5 Outubro - ALENQUER e as tradições republicanas…

Hoje, 5 de Outubro de 2011, o Arquivo Museu Alenquer organizou no Museu João Mário uma Exposição/Tertúlia em que se recordou as tradições republicanas em Alenquer.

Do que vi e ouvi tomei alguns apontamentos que aqui deixo, pedindo, desde já, desculpa por alguma incorrecção.
Foi focado o “antes” e o “após” 5 Outubro de 1910 e o facto de existir uma acentuada rivalidade entre a Vila Alta e Vila Baixa, em que a Alta era essencialmente monárquica e a Baixa mais progressista/republicana.


Relativamente ao “após” foram recordadas e documentadas pelos intervenientes 3 facetas que, para mim, eram completamente desconhecidas.

1 – As Festas Comemorativas do 5 de Outubro no Parque Vaz Monteiro em que a grande atracção eram as actuações das Bandas Filarmónicas que faziam com que se deslocassem a Alenquer milhares de pessoas para assistir aos concertos. Esses concertos acabaram cerca de 1930/1933, o último documento sobre o assunto data de 1930.



2 - Os Jantares do 5 de Outubro que foram iniciados com o 1º jantar, em 5 de Outubro de 1911, com a presença de Bernardino Machado e que se prolongaram por muitos anos até durante o Estado Novo e envolvendo alguns (bastantes) riscos.


3 – O “Licor” 5 de Outubro que era bebido por tradição nesses jantares e elaborado com uma fórmula secreta de Gregório Rosa, proprietário da Farmácia Rosa. Estevão Riso (pai do actual presidente Jorge Riso) de tanto fazer este licor também conhecia a sua fórmula e continuou a fabricá-lo após o falecimento do seu patrão e amigo, depois de pedir licença aos filhos de Gregório Rosa, mas nunca revelou a sua fórmula.

Esta tarde, a surpresa final foi a partilha de um licor com todos os presentes.
Será que o enólogo que tentou “descodificar” a fórmula secreta o conseguiu fazer?
Isso eu não sei mas que era óptimo posso afirmá-lo!
Até porque foi graças a este licor que retomei os meus apontamentos neste blogue.
SAÚDE!

domingo, 17 de agosto de 2008

A "Praça dos Homens"...


Aos Domingos, os homens da terra reuniam-se na chamada “praça dos homens”.
Então, os trabalhadores rurais submetiam-se ao ritual da escolha e ajuste de jorna para a semana seguinte. Muitas vezes, a minha mãe me contava histórias desse tempo em que o meu avô ou o meu pai íam “ajustar” os trabalhadores e me relatava a espécie de jogo em que os patrões disputavam os melhores trabalhadores.
Recordo até que, na altura, manifestei a opinião de que era uma situação estranha, era como se se tratasse de uma espécie de “aluguer” de escravos e a minha mãe me fez ver que até era uma coisa boa tanto para o patrão como para o trabalhador.
Ela explicava-me que, no fundo, os trabalhadores melhores eram os mais valorizados e os mais fracos eram, assim, incentivados para serem melhores.
Enfim... uma tradição que sei não ser apenas da zona de Alenquer mas que achei curiosa estar retratada neste painel de azulejo junto ao cruzamento do Carregado.
Aqui vos deixo, então, um apontamento desta tradição da minha terra...

sexta-feira, 21 de março de 2008

Tradição de Sexta-Feira Santa...



Hoje, Sexta-Feira Santa, recordei uma tradição antiga da zona do Carregado e do nosso vizinho concelho de Azambuja.
Dada a proximidade com as margens do Tejo e o dever religioso de fazer jejum e abstinência, as familias passavam este dia santo a pescar e comiam aquilo que conseguiam pescar.
Pensava que esta tradição, que os meus pais me relataram, se tinha perdido no tempo mas hoje lembrei-me de ir verificar.

Fui até junto ao Tejo e, para minha alegria, verifiquei que esta tradição ainda se mantinha.
Encontrámos, eu e o meu marido, várias familias a preparar os grelhados para o seu almoço de Sexta-Feira Santa.
Conversámos com algumas, fotografámos e eu fiquei emocionada com uma delas, por sinal do Carregado, que preparava um prato que faz parte das minhas recordações de juventude, o Torricado. O meu pai fazia um torricado delicioso que eu adorava... vieram-me lágrimas aos olhos ao recordá-lo.

O Torricado é um prato típico desta região, tradicionalmente associado ao trabalho do campo, especialmente dos trabalhadores vitícolas.
Consiste numa forma prática de cozinhar o pão, torrando-o e untando-o de azeite e alho, de forma a acompanhar bacalhau assado ou sardinha assada.
Este prato tem a sua origem nos camponeses que tinham de se ausentar de casa por alguns dias, pois nem sempre as suas terras ficavam ao pé das suas residências.
Este facto obrigava-os a ter de fazer um "farnel", e como naquela altura era difícil conservar a comida, tinham de levar algo que não se estragasse.

Deixo aqui alguns apontamentos desta tradição e do meu passeio de hoje de manhã.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Fábrica de Lanificios Chemina...


Fundada por uma sociedade em comandita, a COMPANHIA DE LANIFÍCIOS DA CHEMINA ficou a dever-se à iniciativa dos irmãos José Joaquim e Salomão dos Santos Guerra, depois gerentes do estabelecimento.
Com projecto de José Juvêncio da Silva – que também projectou os Paços do Concelho - começou a edificar-se em Abril de 1889, em terrenos da antiga quinta ou Casal da Chemina, de onde adoptou o nome.

Foi inaugurada em Junho de 1890.
Pouco tempo depois empregava 200 operários de ambos os sexos e fabricava, entre outros produtos, xales, casimiras, castorinas, cintas, barretes e cobertores.
Ao contrário das fábricas suas contemporâneas, opta apenas pela força de uma máquina de vapor, quando a sua situação, junto do rio, lhe poderia proporcionar o uso do sistema hidráulico.
Pouco tempo mais tarde a sociedade proprietária transforma-se em sociedade anónima.
Boa parte do capital está nas mãos de industriais e banqueiros do Porto, como Cândido Ribeiro da Silva e Carlos José Alves.
José e Salomão Guerra, para além de gerentes da fábrica, asseguravam a chefia das secções de acabamento e tecelagem.
Antes da fundação da Chemina, haviam exercido idênticos lugares nas fábricas da Romeira e “do Meio”, razão porque terão deixado a sua terra de origem, Arrentela, concelho do Seixal, outro importante centro de produção de lanifícios.
Meio século depois da fundação, em 1940, a FÁBRICA DE LANIFÍCIOS DA CHEMINA, S.A.R.L., continua a fabricar os mesmos produtos.
Tem sede no Porto, na Rua Formosa, e a gerência está ainda confiada a um Guerra, Isidoro de Castro Guerra, sobrinho dos fundadores.
Mas em 1948 é já outra empresa que explora o estabelecimento.
Chama-se então FÁBRICA BARROS, LDA..
Por pouco tempo.
Entre 1949 e 1952 permanece fechada, até que se forma outra empresa que a adquire: a EMPRESA LANIFÍCIOS TEJO, LDA., que a reequipa e põe a funcionar.
Em 1977 emprega 160 trabalhadores.
Em 1994, à beira do fecho definitivo, ocupando apenas parte dos edifícios, emprega apenas 15 a 20 operários.

Em 2000, o edifício principal sofreu um violento incêndio e ainda se encontra, infelizmente, num estado de decadência que me faz sentir pena cada vez que olho o edificio em ruinas.
Os prédios são hoje propriedade municipal.
Espero que o municipio encontre maneira de reconstruir e reaproveitar este belo edificio praticamente no centro da vila...

domingo, 16 de dezembro de 2007

O Presépio de Alenquer...

Alenquer é conhecida por “Vila Presépio” e deve isso ao presépio que desde 1968 é montado no ermo da colina que constitui a denominada "vila alta".
Com cerca de 20 peças, algumas de 6 metros de altura, representativas das figuras bíblicas, desde o Menino, Maria, José e Reis Magos, até aos pastorinhos com seus animais, devidamente orientados por dois anjos da guarda, o presépio constitui um dos ex-líbris da vila, em tempo de Natal.

Surgiu no âmbito de um conjunto significativo de benfeitorias levadas a cabo na sequência das dramáticas cheias de Novembro de 1967, que deixaram de luto e em ruína a zona ribeirinha da vila.
Estas cheias de 1967 foram a maior catástrofe natural que alguma vez se abateu sobre Alenquer. As águas chegaram a atingir mais de 3 metros de altura e os mortos atingiram a meia centena.
Foi um tempo de tragédia mas também de imensa solidariedade.
Esqueceram-se desavenças familiares, conflitos entre vizinhos, classes sociais e tudo o resto.
Todos se uniram em torno do mesmo objectivo, resgatar Alenquer da lama e dos destroços.
Chegaram a ser cerca de 3 mil pessoas a trabalhar nas operações de limpeza e recuperação.
Foi a maior onda de solidariedade em Alenquer.

Este presépio de Alenquer é o simbolo do amor e da união que despontou entre os alenquerenses e é isso que o faz tão especial.
Não se trata de uma acção de promoção, de marketing turistico, como alguns possam pensar, mas sim de um simbolo de solidariedade e Amor ao próximo.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A 1ª.linha férrea em Portugal...



Em 28 de Outubro de 1856, inaugurou-se o caminho de ferro de Portugal, com a 1ª linha férrea de Lisboa ao Carregado.

Desta inauguração transcrevo uma passagem do livro de memórias da Marquesa de Rio Maior (que à data era ainda criança ):

”Vou narrar o que me lembra do solene dia da inauguração que, enfim, chegou. Minha mãe não quis ir ao banquete do Carregado. Mas foi comigo para um cerro fronteiro à estação de Alhandra ver a passagem do comboio (….). Finalmente, avistámos ao longe um fumozinho branco, na frente de uma fita escura que lembrava uma serpente a avançar devagarinho. Era o comboio ? Quando se aproximou, vimos que trazia menos carruagens do que supúnhamos. O comboio parou por um momento na estação, de onde se ergueram girândolas estrondosas de foguetes (...).Só no dia seguinte ouvimos o meu pai contar as várias peripécias dessa jornada de inauguração. A máquina (...) não tinha força para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram; e fora-as largando pelo caminho. Creio que se o Carregado fosse mais longe e a manter-se uma tal proporção, chegava lá a máquina sozinha ou parte dela. (...) Meu pai passou para a carruagem real, na qual chegou ao Carregado, onde assistiu aos festejos e comeu lautamente, porque o banquete era farto ".

Com esta inauguração, a máquina a vapor substitui as faluas do Tejo, e, gradualmente, os serviços regulares das carreiras da mala-posta.
---
Esta é a estação do Carregado – Alenquer (Vala do Carregado) em que ainda se vê o edificio da estação, do lado direito, e que actualmente se encontra fechado, e a linha original que penso também já estar desactivada.
Quando lá fui fotografar (há anos que não passava por ali) estava completamente deserta.
Verifiquei que tudo estava mais moderno, o ir à bilheteira foi substituido por uma maquineta em que se coloca a moeda e sai o bilhete e, finalmente, uma voz gravada anuncia a chegada deste comboio e lá desceram uns passageiros.
Curiosamente, estava uma senhora a observar junto da velha estação, talvez a recordar tempos passados...

domingo, 2 de setembro de 2007

Pelo caminho da Estrada da Mala-Posta...


Seguindo a minha viagem no tempo, passei pela minha aldeia e pela minha casa mas não parei e fui à procura do marco seguinte, na estrada que vai dar ao Camarnal e onde podemos entrar de novo na estrada nacional, na direcção de Caldas da Rainha ou Leiria.

Não fui tão longe porque depressa cheguei ao meu destino e, na estrada da Várzea, parei de novo junto ao segundo marco, para o fotografar, admirar e tentar ler as palavras nele gravadas.
Penso que consegui “decifrar” correctamente e aqui vos deixo a inscrição:



DONA MARIA PRIMEIRA

RAINHA FIDELISSIMA DE PORTUGAL

NOSSA SENHORA

PIA.JUSTA.MEMORAVEL.

PARA UTILIDADE PUBLICA

MANDOU DEMARCAR COM ESTE PADRAO

AS LEGOAS DA CIDADE DE LISBOA

CAPITAL DO REINO PARA A PROVINCIA

COM DISTANCIAS DE TRES MIL

OUTOCENTOS E QUATRO PASSOS

GEOMETRICOS

SENDO INSPECTOR GERAL DAS ESTRADAS

REAIS E OBRAS PUBLICAS DE RIBATEJO

DOM JOSE LUIZ DE MENEZES

CONDE DE VALLADARES

NO ANNO DE M.DCC.LXXX.VIII.

UM DECIMO DESTE FELICISSIMO REINADO



Fiquei por ali algum tempo e resolvi voltar para trás mas, se tivesse seguido mais um pouco poderia apreciar a entrada da Quinta da Bemposta, local onde em tempos longinquos os cavalos e os viajantes descansavam.

Por vezes, porque a noite se aproximava, pernoitavam na estação e seguiam viagem de madrugada cedo porque os perigos eram muitos e as viagens eram bem mais dificeis naqueles tempos.

Carregado - Marco de Caminhos...


Vamos sair da vila de Alenquer para dar um salto à maior freguesia do concelho (em numero de habitantes), a freguesia do Carregado.
Nó central de eixos viários, desde os primórdios, (1ª linha dos caminhos de ferro, Lisboa - Carregado); cruzamento da Estrada Real Lisboa - Caldas da Rainha e Lisboa - Santarém, bem como pólo fluvial importante através do rio Tejo, desde Lisboa às Portas de Ródão, o Carregado continua hoje a sua tradição de nó central das linhas viárias que cruzam o País.
Esse facto está registado, como não podia deixar de ser na heraldica da freguesia em que o elemento central é “o marco de caminhos”.

Hoje de manhã, resolvi seguir o caminho de dois desses marcos até porque a meia distancia entre eles se encontra a minha casa, numa pequena aldeia com o nome de Obras Novas, com pouco mais de 300 habitantes.
Saindo do Carregado na direcção de Santarém, fiz uma paragem no primeiro para o fotografar e recordei os meus tempos de escola em que esperava a camioneta junto a esse marco que actualmente está num local mais elevado do que estava na época. Com a construção do autoestada (A1) a estrada nacional foi rebaixada e o marco ficou, por isso, isolado lá no alto, passando despercebido aos mais desatentos.
Nele se pode ver a indicação de “Estrada que se derige a Santarem Ano de 1788” do lado voltado para a estrada nacional e, de outro “Estrada de vem das Caldas da Rainha”. Esta indicação leva-nos a crer que esta estrada, possivelmente construída em cima de antigos caminhos romanos, já funcionava muito antes de 1850, ano a que se atribui o inicio da construção da Estrada Real entre Lisboa e Caldas da Rainha, passando por Carregado, Alenquer e Ota.
Por essa estrada, os passageiros e o correio seguiam em deligências de 6 lugares, puxadas por 4 cavalos e o preço de uma passagem entre o Carregado e Ota, com direito a 33 arráteis de bagagem (cerca de 15 Kg) era de 720 réis em primeira classe e 480 em segunda.

Foi por essa estrada que segui, a antiga Estrada da Mala-Posta, não numa “deligência” mas no meu carro... os tempos são outros mas, com um pouco de imaginação, retrocedi “um pouco” no tempo.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Convento de Nª.Srª.da Conceição...


Na encosta entre a Igreja de S. Francisco e a de S. Pedro, existem ainda grandes porções de altos muros, que formavam as paredes de vedação de uma cerca de grande superfície onde no seu interior estava edificado um Convento de Freiras da Ordem de Santa Clara, de invocação de Nª Sª da Conceição.

Podemos admirar ainda o bloco arquitectónico de forma cilindrica com pequena abóboda, que talvez correspondesse à Capela-Mór daquele Convento.
Uma extensa parede ainda bem conservada, serve de vedação da área do quartel da GNR de Alenquer; e outros grandes bocados de muros, que quase se confundem com muralhas, são visíveis em outros locais, e até uma parte deles está a ser "reconstruída" ou a beneficiar de obras de reforço, o que é bom de registar.

O Convento foi fundado em 1553, por João Gomes de Carvalho, que foi fidalgo da Casa d'El-Rei D.João III, e que se julga ter sido mestre notável em letras, na Universidade de Coimbra.

Com a extinção das Ordens Religiosas em 1834, os Conventos entraram em decadência e em ruína, passando a maioria deles ao Estado e à posse de privados.
Em 1860 a Cerca e casario do Convento passou para as mãos de Mr. Auguste Lafaurie, o fundador da Fábrica do Meio, que também já não existe.
Parece que ele, e o irmão, que se terá suicidado, foram sepultados ainda na zona da Capela-Mór do Convento.
Passou depois a propriedade para a sua filha D. Maria Carolina Augusta Lafaurie, mas em 1889 foi posta em venda em praça pública.
O domínio útil foi adquirido por João Marques de Sousa Ramalho e o domínio directo por António Ferreira Campos, que anos depois também comprou o domínio útil.
O século XX já lá vai, e hoje essa Cerca com o que resta do Convento, possuindo ainda e também algumas casas-dependências, que servem de habitações, continua a constituir propriedade privada.
Poderá a vir possivelmente a ser objecto de reconversão, no futuro, esperando que o seu actual proprietário concorde em preservar o bloco cilindrico ou octogonal, com pequena cúpula, que talvez seja uma boa parte da capela-mór que resistiu no grande decurso de quase quinhentos anos.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Divino Espirito Santo - o Bodo...


As festas do Divino Espirito Santo têm o seu final com o Bodo.
Saindo da Igreja em cortejo, percorrem as ruas da terra e, no final, todos os participantes depositam as coroas, ofertas e bandeiras num recinto escolhido para o efeito.
As ofertas de sopa, pão e vinho são distribuidas pelos presentes, depois de abençoadas.
Os irmãos recebem-nas e todas as pessoas que passam podem livremente servir-se de pão, sopa e vinho.
Neste ano de 2007, a tradição antiga foi adaptada o mais possivel e foi bonito de ver a confraternização no final do cortejo.
Nem o tempo cinzento conseguiu tirar o sorriso dos rostos das pessoas que se envolveram e trabalharam assim como nas pessoas que, cada qual à sua maneira, deram o seu contributo para as festas, mesmo que tenha siso apenas com a sua presença, como foi o meu caso.
Damião de Goes, por volta do ano de 1570 ofereceu à Igreja do Espirito Santo, entre outros bens, órgãos de som para substituirem os que havia e mal funcionavam e ainda uma mesa grande de mármore onde se partisse a carne dos touros que se distribuia no bodo e uns bordos de madeira de fora, para fazer-se bancos onde se pusesse o pão para ser benzido.
Este ano, fui tudo muito mais simples mas a sopa da pedra que foi distribuida pelos presentes estava deliciosa e bem quentinha, mesmo a calhar porque o fim da tarde estava fresco e a chuva miudinha ameaçava voltar.
Que esta iniciativa se repita para o ano e que continue, sempre cada vez com mais empenho e entusiasmo.

Divino Espirito Santo - as celebrações do seu culto...


Em domingo de Páscoa saía da Igreja do Espírito Santo, a bandeira da Irmandade, levada por um homem nobre.
Um menino, filho das famílias principais da terra, caminhava entre duas jovens, levando na mão uma espada antiga curta, que a tradição dizia ser de D.Dinis.
Atrás vinha um homem nobre seguido do capelão da Casa do Espírito Santo, com uma corôa de prata dourada sobre uma salva, também, de prata.Chegada a procissão à Igreja de S.Francisco esse homem nobre é coroado pelo sacerdote vestido de capa de asperges e depois as duas jovens dançavam com quatro homens nobres à vista do homem coroado que sentado debaixo de um docel, fazia a figura de imperador.

Doce, fruta, vinho e água, quanto sómente baste era consumida nesta cerimónia, feita no átrio deste templo.
Repetia-se este ritual todos os domingos até ao sábado de Espírito Santo (ou seja ao 7º domingo depois da Páscoa.
Nesse sábado, véspera do domingo do Espírito Santo, ia o imperador acompanhado dos religiosos de S.Francisco e de todo o clero, até à Igreja de Triana, onde feita a oração, continuava a procissão de regresso e a recolher na Igreja do Espírito Santo e aqui benziam-se muitas merendeiras e carne que se repartia pelo povo.
Como prova de grande riqueza e fama desta Confraria em Alenquer, sabe-se que entre 1520 e 1577 entraram 1052 confrades novos a somar aos já existentes.
Entre eles encontravam-se muitos dos nomes mais nobres e antigos, como por exemplo Damião de Goes, Afonso de Albuquerque, Pedro de Alcaçova Carneiro, Francisco Carneiro, D. Pedro de Noronha, D. Leão de Noronha, a condessa de Linhares, D. Isabel de Lencastre, Lopo Vaz Vogado, D. Manuel de Portugal, Manuel Gouveia, Lançarote Gomes Godinho e muitas outras personalidades.

Divino Espirito Santo - o retomar do Seu culto...


O culto do Espírito Santo, de acordo com o historiador português Moisés do Espírito Santo, tem origem na Antiguidade.
Entre os israelitas, a Festa de Pentecostes era celebrada cinquenta dias (sete semanas) depois da Páscoa, sendo uma das quatro festas importantes do calendário judaico: Páscoa, Omar, Pentecostes e Colheitas.Ela era conhecida, ainda, com nomes diferentes: das Ceifas, das Semanas, do Dom da Lei, e outros, tendo sido, primitivamente, uma festa agrária dos cananeus.
Entre os hebreus, o termo “shabüoth” faz referência à festa que começa cinquenta dias depois da Páscoa e marca o fim da colheita do trigo.
“A Festa do Divino é um eco das remotas festividades das colheitas".
Já o culto ao Espírito Santo, sob a forma de festividade, no sentido que iria adquirir mais tarde, tem início na Idade Média, em Itália, com um contemporaneo de São Francisco de Assis, o abade Joachim de Fiori (morto em 1202), que ensinava que a última fase da história seria a do Espírito Santo.
Em Portugal, no séc. XIV, a festa do Divino já se encontrava incorporada à Igreja, como festividade religiosa, segundo reza um velho pergaminho franciscano depositado na Camara Velha de Alenquer.
A responsável por essa institucionalização da festa em solo português foi a rainha Santa Isabel, esposa do Rei D. Diniz (1.279- 1.325), que mandou construir a Igreja do Espírito Santo, em Alenquer.

A primeira celebração do Império do Divino Espírito Santo, provavelmente influenciada pelos franciscanos, teria mesmo ocorrido em Alenquer pois foi aqui que os mesmos fundaram o primeiro convento franciscano em Portugal.
A partir dali o culto expandiu-se, primeiro por Portugal (Aldeia Galega, na época Montes de Alenquer, Sintra, Tomar, Lisboa) e depois acompanhou os portugueses nos descobrimentos, nomeadamente, no Brasil e nos Açores onde ainda permanece com todo o vigor, principalmente na ilha Terceira.

Há 200 anos que as festas do Divino Espirito Santo foram interrompidas em Alenquer e retomadas apenas uma única vez, em 1945.
Renasceram este ano de 2007 sob o lema "O Espirito Santo sopra onde quer", com inicio no Domindo de Páscoa e o final no Domindo de Pentecostes com a celebração solene na Igreja de S.Francisco, a Procissão e o Bodo, no Largo do Espirito Santo.
As origens medievais destas festas foram acentuadas na Procissão com gaitas de foles e tambores.
Representando as 16 freguesias do concelho, caminhavam camponeses, com cestas de pão e o vinho para servir no bodo.

Foi há sete séculos que se iniciou em Alenquer esta celebração, que durou 500 anos.
Que este retomar não se perca de novo e que Espirito Santo sopre sobre os responsáveis e lhes dê força e entusiasmo para continuarem por muitos anos.

Igreja do Espirito Santo - o seu restauro e inauguração...


Esta Igreja foi mandada erigir em honra do Espirito Santo pela rainha Santa Isabel.
Foi restaurada recentemente e inaugurada este ano de 2007 no Domingo de Páscoa, dia 8 de Abril, dando-se também inicio nesse dia às Festas do Império do Divino Espirito Santo que se prolongaram até ao Domingo de Pentecostes, em 27 de Maio.
Durante todo o tempo pascal várias iniciativas foram levadas a cabo mas o culminar das festas aconteceram no Domingo de Pentecostes com a Missa de Pentecostes, a Procissão do Espirito Santo e o Bodo.
Estas festas foram organizadas pela Camara Municipal, Paróquias de Alenquer e Santa Casa da Misericordia pretedem que se retome a tradição do culto e festividades do Divino Espirito Santo que tiveram o seu inicio precisamente em Alenquer.
Damião de Goes era confrade da Casa e Igreja do Espirito Santo, de Alenquer, onde ouvia missa e assistia às festas imperiais, sempre que estivesse em Portugal.
Eram celebradas com tanto brilho, esplendor e entusiasmo que tinham fama em todo o Reino e a Alenquer chegavam romeiros vindos de Lisboa e de outras partes de Portugal. O concelho de Alenquer viu criar-se outras Igrejas dedicadas ao Espírito Santo, como por exemplo, a de Ota e da Atalaia, e as capelas em Aldeia Galega, Aldeia Gavinha e a do Arneiro.

Nesta Igreja, o que chama a atenção do visitante que a conheceu antes do restauro é a luminosidade que, antes, era quase inexistente e a tornava numa igreja escura e algo misteriosa.
Agora a luz invade o templo eu não deixo de pensar que talvez o antigo brilho, esplendor e entusiasmo esteja de volta, com a inspiração divina do Espirito Santo.

Igreja do Espirito Santo - a sua construção...


A Igreja do Espírito Santo, situada junto ao rio Alenquer, na sua margem direita, vem do tempo da Rainha D.Isabel de Aragão (Rainha Santa Isabel, mais tarde canonizada), esposa do Rei D.Dinis.
Esta Rainha, tendo estado, temporáriamente, separada do marido, viveu em Alenquer e por sua iniciativa construiu-se a Ermida do Espirito Santo.
Conta um cronista da época que "... como amava a seu esposo, em Deus, e a Deus, em seu esposo, unia os agrados, não repartia os afectos, porque em Deus achava o preceito de amar a seu esposo, e no amor de seu esposo, fazia o que Deus lhe mandava ".
Guilherme João Carlos Henriques, na sua obra de 1873,"Alemquer e o seu Concelho", refere que havia em 1707, uma cruz de pedra na Calçada que sobe para a Igreja de S.Pedro, que já existia por volta de 1260.
Essa cruz comemorava o milagre de cada rosa que a Rainha tinha dado a cada pedreiro da Ermida do Espírito Santo, e se tinha transformado num "dobrão" de oiro.
A Ermida do Espírito Santo terá sido construída depois de 1300.

domingo, 27 de maio de 2007

Porta da Conceição - vestigios pré-históricos...


A descoberta pelo arqueólogo Hipólito Cabaço de objectos polidos no sítio do Castelo (sem precisar exactamente a localização) e de fragmentos cerâmicos junto da vulgarmente chamada Porta da Conceição parece indício seguro de uma origem pré-histórica da vila, no espaço depois limitado pela fortificação medieval.

As cerâmicas, classificadas por Cabaço como “Eneolítico”, são por ele descritas como “Diversos fragmentos de vasos campaniformes com desenhos incisos encontrados por baixo da muralha da Porta da Conceição – Alenquer”.

Localizado a meia-encosta, o sítio da Porta da Conceição levanta dúvidas quanto à localização e estrutura do povoado a que estariam associados aqueles vasos. João José Fernandes Gomes, que estudou o espólio, aponta duas possibilidades: a de se tratar de um povoado de tipo castrejo, que ocupara o topo do outeiro do Castelo, a 107 metros de altitude; ou de um povoado que ocupara uma das vertentes do mesmo monte.

A primeira parece, contudo, comprometida. Hipólito Cabaço, que nos anos trinta do século XX realizou escavações na zona da alcáçova do castelo medieval nada encontrou de tempos pré-históricos. Como escreveu Luciano Ribeiro: “Supoz-se que, abaixo do piso relativo à primeira dinastia alguma coisa houvesse das civilizações anteriores. Porém, infelizmente: nada!”. Aceitando a segunda hipótese – povoado de encosta - não será indiferente a proximidade da Porta da Conceição às inúmeras fontes e nascentes que brotavam no sítio das Águas, de ambos os lados do rio, que era abundante de peixes, conforme relatos modernos.

Também para lá do rio, no monte fronteiro a esta encosta da Porta da Conceição, chamado do Pedregal, Cabaço recolheu, para além de restos paleontológicos e antropológicos, materiais eneolíticos.

sábado, 26 de maio de 2007

Torre da Couraça...


Ao olhar a velha Torre da Couraça, em Alenquer, sinto tristeza ao constactar o estado de decadência em que se encontra.
Alenquer, foi conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques em 1148.
Aqui construiu depois D. Sancho I um palácio.

Senhora da vila por doação de seu pai, D. Sancha concedeu-lhe o primeiro foral.Mais tarde, Alenquer teve novas cartas de foral, dadas por D. Dinis em 1302 e por D. Manuel em 1510.
A posição estratégica da vila levou à construção de um castelo de difícil conquista para a época. O castelo, do qual restam hoje apenas uns panos de muralha, a Porta da Conceição e esta bizarra Torre da Couraça (encimada por uma casa), terá sido fundado pelos Alanos, sujeito a obras árabes e reconstruído pelo nosso primeiro rei.
Nos últimos anos, foi muito discutido pela autarquia a possivel reconstrução da casa que estava “encavalitada” no cimo da Torre mas o tempo foi passando e cada vez se notavam mais sinais de decadência e possivel derrocada.
Em 4 Agosto 2005, poucos dias após eu ter tirado esta foto, passei pela Torre da Couraça e, com grande surpresa minha, vi que a casa já lá não estava!

A velha Torre já não parece a mesma sem a casa em ruinas.

Parece estranha, despropositada, sei lá...

Damião de Goes - uma vida atribulada...


Fachada de uma antiga casa da Travessa da Várzea, perto da Igreja da Várzea, onde foi sepultado inicialmente Damião de Goes.Foi também na Freguesia de Santa Maria da Várzea que Damião de Goes, ilustre alenquerense nascido no ano de 1502, foi baptizado.

Damião de Goes passou grande parte da vida nos países mais cultos da Europa contactando com as figuras mais eminentes do seu tempo com quem comungava os ideais humanistas.
Apaixonado pela literatura e pela arte, era igualmente grande apreciador de música, além de compositor e executante.A 4 de Abril de 1571 é preso pela Inquisição que reabrira um processo iniciado há vinte seis anos (5 de Setembro de 1545, em Évora), por denúncia do jesuíta Simão Rodrigues, e reafirmado pelo mesmo cinco anos depois, desta feita em Lisboa, sob a acusação de práticas heréticas.
Damião afirmará mais tarde que o motivo destas denúncias foi a tentativa de impedir que D. João III o nomeasse mestre de letras e guarda-roupa do príncipe herdeiro, de quem Simão Rodrigues já era mestre de doutrina, o qual também desejaria acumular.
As circunstâncias, causas e local em que a sua morte ocorreu ainda não estão completamente esclarecidas o que tem dado azo a muita especulação.
Sabemos que foi sepultado a 30 de Janeiro em 1574 na capela-mor da igreja da Várzea na vila de Alenquer, como consta no assento de óbito lavrado naquela igreja onde tinha mandado fazer jazigo em 1560.
Com o passar dos anos, devido aos danos causados pelo terremoto de 1755, a igreja da Várzea foi-se arruinando.
Em finais do séc. XIX, encontrando-se a igreja de Santa Maria da Várzea em notório estado de ruína e abandono, reuniram-se esforços e donativos para provimento das obras tendo a Rainha D. Amélia contribuído.
Os trabalhos foram inaugurados em 2 de Outubro de 1897 mas em 1901 havia apenas as paredes erguidas e o telhado feito.
Só em 1941, o tumulo de Damião de Goes foi transladado para uma outra Igreja de Alenquer, a de S.Pedro.
Nessa altura, ao ser aberto o tumulo detectaram-se provas de que Damião de Goes teria sido, muito provavelmente, assassinado.
Em Setembro de 2002, devido a uma intervenção arqueológica, foi novamente aberto o tumulo deste homem de vida brilhante e atribulada e, para surpresa geral, foram encontrados ossos de várias pessoas adultas (pelo menos 8, 6 homens e 2 mulheres) e de 2 crianças.
Enfim... muitas especulações têm sido feitas em redor destes factos sem se chegar a nenhuma conclusão fidedigna.
São apenas suposições, “presas por frágeis fios”, como esta fachada de uma casa degradada que, teimosamente, continua a manter-se de pé...

Convento de S.Francisco...


Porta da entrada para o antigo Convento de S.Francisco, em Alenquer.Este convento foi o primeiro convento franciscano fundado em Portugal em 1222, por D. Sancha, filha do rei Sancho I, no local onde existia o antigo Paço Real da Vila.
Já está muito marcada pelo passar do tempo mas ainda chama a atenção a entrada para os claustros do Convento revestida a azulejos que datam de 1719/1721. Trata-se de uma obra de Policarpo de Oliveira Bernardes, um dos principais artistas do denominado “Ciclo dos Mestres”, que nesta obra acentuou o carácter barroco e teatral, utilizando tons de azul mais carregados.
Para quem visitar Alenquer, vale a pena apreciar esta obra e, mesmo se a porta estiver fechada, não fiquem pelo exterior.
No antigo Convento está instalado o Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia e andam sempre por ali alguns velhotes do Lar, como este que está sentado no banco.
Do lado direito existe uma porta que dá acesso à entrada do Lar e podem pedir às Irmãs para os deixarem visitar o interior.
Nos claustros, destaco as suas colunas, a sala do capitulo e o jardim com a cisterna no meio.
Procurem nas colunas e vão encontrar as tradicionais marcas dos pedreiros e, a um dos cantos, poderão apreciar um antiquissimo relógio de sol.
Se der para subir ao 1º.andar e visitar a Capela de Santa Sancha também não se irão arrepender.


Alenquer fica apenas a cerca de 30 minutos de Lisboa, pela A1.
A Igreja de S.Francisco, cuja entrada é a que vemos mais abaixo na foto, foi construida em 1280 e restaurada há uns anos.
Para mim, é a igreja mais bonita de Alenquer.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

"Criou-me Portugal na verde e cara Pátria minha, Alenquer..."


Há historiadores que defendem ser Alenquer a terra natal de Luis de Camões, fundamentados no canto dos Lusíadas que diz:“Criou-me Portugal na verde e cara Pátria minha, Alenquer…” outros afirmam que o poeta apenas viveu em Alenquer durante um certo período da sua vida.
Quem terá razão? Não sabemos.


Historicamente, Alenquer é de extrema riqueza.
O nascimento de ALENQUER perde-se na noite dos tempos e com ela está relacionada gente da mais alta linhagem como D.Dinis, Rainha Santa Isabel, D.Leonor Teles, D.Catarina, Luis de Camões, Tristão da Cunha, D.Tomás de Noronha,Visconde de Chanceleiros, Hipólito Cabaço, Palmira Bastos, António Correia Baharem, Salvador Ribeiro de Sousa, Manuel Mesquita Perestrelo. O Infante D. Duarte nasceu em Alenquer em 11 de Julho de 1435.

Afirma-se também que o MILAGRE DAS ROSAS aconteceu em Alenquer, embora numa versão diferente da mais conhecida:
Um dia, em que a Rainha Sta.Isabel foi ver como decorriam as obras de construção da Igreja do Espirito Santo resolveu distribuir uma rosa por cada um dos trabalhadores.
Por respeito à sua Rainha, os trabalhadores agradeceram as rosas e guardaram as mesmas nos seus "gibões" (casacos).
Quando à noite, voltaram às suas casas verificaram, com espanto, que cada uma das rosas se tinham transformado em "dobrões" (moedas) de ouro, o que, certamente, muito os ajudou na sua pobre vida.
Esta Igreja do Espirito Santo foi restaurada e inaugurada no Domingo de Páscoa deste ano. Aliás, Alenquer é uma vila pequena mas com, nada mais nada menos do que 7 igrejas que têm vindo a ser restauradas nos últimos anos.
Uma delas, a de Triana, quando os meus pais casaram, há mais de 60 anos, servia de depósito de mobilias já há bastante tempo. Foi também restaurada há poucos anos.
O mesmo tem vindo a acontecer a outras, que estavam muito degradadas.
Trabalho com muito mérito, dirigido pelo Sr.Padre José Eduardo Martins e que tem envolvido muitos alenquerenses, orgulhosos do seu património.