sexta-feira, 25 de maio de 2007

"Criou-me Portugal na verde e cara Pátria minha, Alenquer..."


Há historiadores que defendem ser Alenquer a terra natal de Luis de Camões, fundamentados no canto dos Lusíadas que diz:“Criou-me Portugal na verde e cara Pátria minha, Alenquer…” outros afirmam que o poeta apenas viveu em Alenquer durante um certo período da sua vida.
Quem terá razão? Não sabemos.


Historicamente, Alenquer é de extrema riqueza.
O nascimento de ALENQUER perde-se na noite dos tempos e com ela está relacionada gente da mais alta linhagem como D.Dinis, Rainha Santa Isabel, D.Leonor Teles, D.Catarina, Luis de Camões, Tristão da Cunha, D.Tomás de Noronha,Visconde de Chanceleiros, Hipólito Cabaço, Palmira Bastos, António Correia Baharem, Salvador Ribeiro de Sousa, Manuel Mesquita Perestrelo. O Infante D. Duarte nasceu em Alenquer em 11 de Julho de 1435.

Afirma-se também que o MILAGRE DAS ROSAS aconteceu em Alenquer, embora numa versão diferente da mais conhecida:
Um dia, em que a Rainha Sta.Isabel foi ver como decorriam as obras de construção da Igreja do Espirito Santo resolveu distribuir uma rosa por cada um dos trabalhadores.
Por respeito à sua Rainha, os trabalhadores agradeceram as rosas e guardaram as mesmas nos seus "gibões" (casacos).
Quando à noite, voltaram às suas casas verificaram, com espanto, que cada uma das rosas se tinham transformado em "dobrões" (moedas) de ouro, o que, certamente, muito os ajudou na sua pobre vida.
Esta Igreja do Espirito Santo foi restaurada e inaugurada no Domingo de Páscoa deste ano. Aliás, Alenquer é uma vila pequena mas com, nada mais nada menos do que 7 igrejas que têm vindo a ser restauradas nos últimos anos.
Uma delas, a de Triana, quando os meus pais casaram, há mais de 60 anos, servia de depósito de mobilias já há bastante tempo. Foi também restaurada há poucos anos.
O mesmo tem vindo a acontecer a outras, que estavam muito degradadas.
Trabalho com muito mérito, dirigido pelo Sr.Padre José Eduardo Martins e que tem envolvido muitos alenquerenses, orgulhosos do seu património.

A lenda da conquista de Alenquer aos mouros...


A lenda da conquista de Alenquer aos mouros, como lenda que é, não está provada ter algum fundamento.
Existem mesmo duas versões da mesma lenda.De qualquer modo, aqui fica, pelo menos como curiosidade:
Diz uma das versões da lenda que D.Afonso Henriques, nas suas conquistas, deparou com uma cidade, fortemente defendida pelos mouros, dentro das suas muralhas.Resolveu cercá-la, com o intuito de a conquistar mas os mouros mantinham-se alerta e apresentava-se dificil conseguir os seus fins.Na manhã do dia em que o rei tinha resolvido invadir o castelo, indo o rei cristão com o seu séquito banhar-se no rio e fazer suas correrias, notaram que um cão grande e pardo que vigiava as muralhas e que se chamava "Alão” calou-se e lhes fez muitas festas. El-rei tomando isto por bom presságio mandou começar o ataque, dizendo "O ALÃO QUER, palavras que serviram de futuro apelido à vila.


Uma outra versão, diz que o cão Alão era encarregado de levar as chaves na boca, todas as noites, pela muralha fora até à casa do Governador e os cristãos aproveitando os instintos do animal, prenderam uma cadela debaixo de uma oliveira à vista do cão que, subjugado por sentimentos amorosos, galgou os muros, entregando assim as chaves aos portugueses.

Fica à vossa escolha qual das duas lendas terá mais fundamento... ou darem crédito aos historiadores que apresentam outras explicações...

Fundação de Alenquer

Alenquer é uma vila muito linda e pacata a cerca de 36 Km de Lisboa.
É chamada “Vila Presépio” por se assemelhar a um presépio, com as suas casinhas brancas encavalitadas na parte alta da vila, chamada, por isso mesmo, de “Vila Alta” e, cá em baixo, o rio a atravessar a parte baixa da vila.
A sua origem perde-se na imaginação dos historiadores e no tempo.
Damião de Goes, notável alenquerense e cronista de craveira universal, atribui a fundação de Alenquer no ano de 418 da nossa Era.
Para uns historiadores Alenquer deriva de "ALAN-KERK", que significa TEMPLO DOS ALANOS.
Existem opiniões a dar aos Suevos a instituição de Alenquer com o nome de ALANKANA.
Por sua vez os Túrdulos (gente mais nobre da Lusitânia, segundo Estrabão), são apontados como os primeiros a erguer a Vila, à qual então chamariam ALAN-KERK-KANA. Frei Luis de Sousa, opina que o nome de Alenquer foi ALANO-KERKA.

Neste rosário de probalidades, junta-se ainda o árabe ALAIN-KEIR, que queria dizer "Fonte abençoada". Ou ainda o árabe EL-HAQUEM" que quer dizer "O Governador".

Alenquer ao longo da sua mitológica existência e até atingir o seu actual topónimo, sofreu várias conturbações, consoante a cultura dos seus habitantes).
Séculos VI AC a II AC - Celtiberos, (BRIG), Cartagineses, Lusitanos e Túrdulos (ALAN-KERK-KANA);Séculos II AC a V DC (418) - Romanos (ARABRIGA, GERABRIGA e IERA-BRIGA);418 a 714 - Alanos (ALENEN-KERK) "Igreja", (ALANO KERK) e (ALAN-KERK) "Templo dos Alanos", Vândalos, Suevos (ALANKANA) e Visigodos;714 a 24 de Junho de 1148 -Mouros (Ano de 714) ALAIN-KEIR "Fonte Abençoada" e EL-HAQUEM "O Governador";Desde 24 de Junho de 1148 - Portugueses ALÃOQUER, ALUNQUER, ALON-QUER, ALANQUER, ALEMQUER e ALENQUER.

A Vila "Presépio de Portugal", tem , com efeito, uma origem ainda não perfeitamente definida.